Giro no AppAs contas de quem roda por aplicativo, feitas no papel

Seguro do carro que roda por app: a declaração de uso que não pode faltar

Seguro comum cobre carro de aplicativo? Veja por que declarar o uso para transporte por app, como a omissão pode gerar negativa e o que perguntar ao corretor.

Você está aquiA dúvidaDestinoA conta feita e a fonte para conferir Leitura5 minCurvas9NívelNível intermediário

Por Redação Giro no App · atualizado em

Trajeto, curva a curva 9 curvas
  1. Por que o uso do carro muda tudo
  2. Comece a rodar? Avise já
  3. O que a lei pede de quem transporta passageiro
  4. Coberturas e franquia: o que comparar
  5. Quanto o seguro pesa por km
  6. O que perguntar ao corretor
  7. Quem faz entrega também precisa declarar
  8. Se a indenização for negada
  9. Próximos passos

Por que o uso do carro muda tudo

Seguro é calculado a partir do risco. Quem dirige 10 horas por dia, para em lugares diferentes e leva desconhecidos no banco de trás tem um risco diferente de quem usa o carro para ir ao trabalho e voltar. Por isso o questionário de perfil pergunta para que o carro é usado.

O Código Civil diz que, se a pessoa segurada faz declarações inexatas ou omite circunstâncias que influenciem a aceitação da proposta ou o preço, ela pode perder o direito à garantia, além de continuar devendo o prêmio. Quando a omissão não foi de má-fé, a seguradora ainda pode cancelar o contrato ou cobrar a diferença de preço, mesmo depois do sinistro.

Na prática: bateu o carro durante uma corrida, a seguradora apura que o uso era para transporte por app e que isso não constava, e a indenização pode ser recusada.

Comece a rodar? Avise já

O Código Civil também obriga quem tem seguro a comunicar à seguradora qualquer fato que aumente o risco de forma considerável. Começar a rodar por aplicativo no meio da vigência é exatamente isso.

Se você contratou o seguro antes de começar a rodar:

  1. Ligue para o corretor ou a seguradora e informe a mudança de uso.
  2. Peça o endosso, que é a alteração formal da apólice.
  3. Guarde o protocolo e o documento de endosso.

O endosso pode gerar cobrança de diferença no prêmio. É melhor pagar essa diferença do que descobrir, depois de uma batida, que a apólice não cobre.

O que a lei pede de quem transporta passageiro

A Lei 13.640/2018, que regula o transporte remunerado privado individual de passageiros, lista entre os requisitos a contratação de seguro de Acidentes Pessoais a Passageiros (APP). Esse seguro protege quem está no carro, não o carro em si.

Algumas plataformas dizem oferecer cobertura de APP durante as corridas. Confira nos termos do seu aplicativo o que está coberto, em que momento (só com passageiro a bordo ou também a caminho do embarque) e quais os limites. Isso não substitui o seguro do veículo.

Coberturas e franquia: o que comparar

Na hora de cotar, não compare só o preço. Compare:

  • Cobertura do casco: colisão, incêndio, roubo e furto do seu carro.
  • Responsabilidade civil (RCF-V): danos materiais e corporais que você causar a terceiros. Para quem roda o dia todo, o valor dessa cobertura merece atenção.
  • APP: acidentes com ocupantes, se você quiser complementar o que o aplicativo oferece.
  • Carro reserva: quantos dias. Carro parado é renda parada.
  • Franquia: quanto sai do seu bolso por conserto.

Um exemplo hipotético com números redondos: o conserto de uma batida custa R$ 5.000 e a franquia é de R$ 3.000. A seguradora paga R$ 2.000 e você paga R$ 3.000. Se o conserto custasse R$ 2.500, abaixo da franquia, você pagaria tudo sozinho.

Franquia menor costuma deixar o seguro mais caro, e franquia maior, mais barato. A escolha depende de quanto você tem de reserva para bancar um conserto.

Quanto o seguro pesa por km

Para colocar o seguro na conta de custo, divida o valor anual por 12 e pelo km do mês. Em um exemplo simples: seguro de R$ 4.800 por ano, ou R$ 400 por mês. Rodando 4.000 km por mês, dá R$ 0,10 por km.

Junte esse número com combustível, manutenção e depreciação no guia de custo por km rodado. Se você está decidindo entre ter carro e alugar, lembre que muitos contratos de aluguel já incluem proteção com franquia: compare em alugar ou comprar carro para app.

O que perguntar ao corretor

Leve estas perguntas e peça as respostas por escrito ou por e-mail:

  • O uso para transporte de passageiros por aplicativo está declarado e coberto?
  • E para entregas, se você também faz?
  • Qual é a franquia e em quais situações ela se aplica?
  • Qual é o valor de cobertura para terceiros?
  • Quantos dias de carro reserva e em que casos?
  • O que fica excluído das condições gerais?

Leia as condições gerais da apólice, especialmente a parte de exclusões e perda de direitos. A SUSEP, autarquia que fiscaliza seguros, tem na seção "meu futuro seguro" material explicando como funcionam apólice, franquia, endosso e sinistro.

Quem faz entrega também precisa declarar

Se você usa o mesmo carro para levar passageiros e fazer entregas, informe as duas atividades. Entrega de mercadoria é outro tipo de uso, com outro perfil de risco: o carro para mais vezes, fica estacionado em locais variados e pode carregar volumes. Uma apólice que só menciona passageiros pode não cobrir um sinistro durante uma entrega.

O mesmo vale para quem empresta o carro a outro motorista em turnos diferentes. Quem dirige o carro com frequência costuma precisar constar na proposta como condutor. Se mais alguém roda com o seu carro e não está declarado, pergunte ao corretor como isso afeta a cobertura.

Se a indenização for negada

Peça a negativa por escrito, com o motivo. Releia o que foi declarado na proposta. Se achar que a recusa não tem base, reclame primeiro na seguradora e na ouvidoria dela, depois no consumidor.gov.br e na própria SUSEP. Em caso de dúvida jurídica, a Defensoria Pública e o Procon podem orientar gratuitamente.

Próximos passos

  • Pegue sua apólice e veja o que foi declarado como uso do veículo.
  • Se o uso para aplicativo não aparece, peça o endosso hoje e guarde o protocolo.
  • Confira nos termos do seu aplicativo o que a cobertura de passageiros inclui.
  • Faça pelo menos três cotações declarando o uso real e compare franquia e terceiros.
  • Consulte na SUSEP se a seguradora e o corretor são registrados.

Dúvidas de quem roda

Preciso avisar a seguradora que uso o carro para aplicativo?
Sim. As informações do questionário de perfil definem o preço e a aceitação do seguro. Omitir o uso para transporte por aplicativo pode dar à seguradora base para negar a indenização ou cancelar a apólice.
O seguro fica mais caro para quem roda por app?
Costuma ficar, porque o carro roda mais e fica mais exposto. O valor depende de cada seguradora e do seu perfil. Peça cotações declarando o uso real e compare coberturas e franquia, não só o preço.
O que é franquia no seguro de carro?
Franquia é a parte do prejuízo que fica por sua conta quando o carro sofre dano parcial. Se o conserto custa menos que a franquia, a seguradora não paga nada. Em perda total, normalmente não há franquia.
Como saber se a seguradora e o corretor são registrados?
A SUSEP, autarquia que fiscaliza o mercado de seguros, mantém consulta pública de empresas autorizadas e corretores registrados. Confira antes de pagar qualquer valor.

Onde conferir

Aviso. Conteúdo educativo, não é orientação jurídica nem contábil. Valores como salário mínimo, DAS, alíquotas, limite do MEI e preço do combustível mudam: confira o número vigente na fonte oficial antes de decidir. As regras de cada aplicativo também mudam; confira nos termos do seu. O Giro no App não é ligado a nenhuma plataforma. Leia o aviso legal.
Quem traçou esta rota: Redação Giro no App

Escrevemos a partir de leis, páginas oficiais e da conta feita no papel, sem cobrar nada de quem lê. Viu uma regra desatualizada? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.

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