Seguro do carro que roda por app: a declaração de uso que não pode faltar
Seguro comum cobre carro de aplicativo? Veja por que declarar o uso para transporte por app, como a omissão pode gerar negativa e o que perguntar ao corretor.
Por Redação Giro no App · atualizado em
Trajeto, curva a curva 9 curvas
Por que o uso do carro muda tudo
Seguro é calculado a partir do risco. Quem dirige 10 horas por dia, para em lugares diferentes e leva desconhecidos no banco de trás tem um risco diferente de quem usa o carro para ir ao trabalho e voltar. Por isso o questionário de perfil pergunta para que o carro é usado.
O Código Civil diz que, se a pessoa segurada faz declarações inexatas ou omite circunstâncias que influenciem a aceitação da proposta ou o preço, ela pode perder o direito à garantia, além de continuar devendo o prêmio. Quando a omissão não foi de má-fé, a seguradora ainda pode cancelar o contrato ou cobrar a diferença de preço, mesmo depois do sinistro.
Na prática: bateu o carro durante uma corrida, a seguradora apura que o uso era para transporte por app e que isso não constava, e a indenização pode ser recusada.
Comece a rodar? Avise já
O Código Civil também obriga quem tem seguro a comunicar à seguradora qualquer fato que aumente o risco de forma considerável. Começar a rodar por aplicativo no meio da vigência é exatamente isso.
Se você contratou o seguro antes de começar a rodar:
- Ligue para o corretor ou a seguradora e informe a mudança de uso.
- Peça o endosso, que é a alteração formal da apólice.
- Guarde o protocolo e o documento de endosso.
O endosso pode gerar cobrança de diferença no prêmio. É melhor pagar essa diferença do que descobrir, depois de uma batida, que a apólice não cobre.
O que a lei pede de quem transporta passageiro
A Lei 13.640/2018, que regula o transporte remunerado privado individual de passageiros, lista entre os requisitos a contratação de seguro de Acidentes Pessoais a Passageiros (APP). Esse seguro protege quem está no carro, não o carro em si.
Algumas plataformas dizem oferecer cobertura de APP durante as corridas. Confira nos termos do seu aplicativo o que está coberto, em que momento (só com passageiro a bordo ou também a caminho do embarque) e quais os limites. Isso não substitui o seguro do veículo.
Coberturas e franquia: o que comparar
Na hora de cotar, não compare só o preço. Compare:
- Cobertura do casco: colisão, incêndio, roubo e furto do seu carro.
- Responsabilidade civil (RCF-V): danos materiais e corporais que você causar a terceiros. Para quem roda o dia todo, o valor dessa cobertura merece atenção.
- APP: acidentes com ocupantes, se você quiser complementar o que o aplicativo oferece.
- Carro reserva: quantos dias. Carro parado é renda parada.
- Franquia: quanto sai do seu bolso por conserto.
Um exemplo hipotético com números redondos: o conserto de uma batida custa R$ 5.000 e a franquia é de R$ 3.000. A seguradora paga R$ 2.000 e você paga R$ 3.000. Se o conserto custasse R$ 2.500, abaixo da franquia, você pagaria tudo sozinho.
Franquia menor costuma deixar o seguro mais caro, e franquia maior, mais barato. A escolha depende de quanto você tem de reserva para bancar um conserto.
Quanto o seguro pesa por km
Para colocar o seguro na conta de custo, divida o valor anual por 12 e pelo km do mês. Em um exemplo simples: seguro de R$ 4.800 por ano, ou R$ 400 por mês. Rodando 4.000 km por mês, dá R$ 0,10 por km.
Junte esse número com combustível, manutenção e depreciação no guia de custo por km rodado. Se você está decidindo entre ter carro e alugar, lembre que muitos contratos de aluguel já incluem proteção com franquia: compare em alugar ou comprar carro para app.
O que perguntar ao corretor
Leve estas perguntas e peça as respostas por escrito ou por e-mail:
- O uso para transporte de passageiros por aplicativo está declarado e coberto?
- E para entregas, se você também faz?
- Qual é a franquia e em quais situações ela se aplica?
- Qual é o valor de cobertura para terceiros?
- Quantos dias de carro reserva e em que casos?
- O que fica excluído das condições gerais?
Leia as condições gerais da apólice, especialmente a parte de exclusões e perda de direitos. A SUSEP, autarquia que fiscaliza seguros, tem na seção "meu futuro seguro" material explicando como funcionam apólice, franquia, endosso e sinistro.
Quem faz entrega também precisa declarar
Se você usa o mesmo carro para levar passageiros e fazer entregas, informe as duas atividades. Entrega de mercadoria é outro tipo de uso, com outro perfil de risco: o carro para mais vezes, fica estacionado em locais variados e pode carregar volumes. Uma apólice que só menciona passageiros pode não cobrir um sinistro durante uma entrega.
O mesmo vale para quem empresta o carro a outro motorista em turnos diferentes. Quem dirige o carro com frequência costuma precisar constar na proposta como condutor. Se mais alguém roda com o seu carro e não está declarado, pergunte ao corretor como isso afeta a cobertura.
Se a indenização for negada
Peça a negativa por escrito, com o motivo. Releia o que foi declarado na proposta. Se achar que a recusa não tem base, reclame primeiro na seguradora e na ouvidoria dela, depois no consumidor.gov.br e na própria SUSEP. Em caso de dúvida jurídica, a Defensoria Pública e o Procon podem orientar gratuitamente.
Próximos passos
- Pegue sua apólice e veja o que foi declarado como uso do veículo.
- Se o uso para aplicativo não aparece, peça o endosso hoje e guarde o protocolo.
- Confira nos termos do seu aplicativo o que a cobertura de passageiros inclui.
- Faça pelo menos três cotações declarando o uso real e compare franquia e terceiros.
- Consulte na SUSEP se a seguradora e o corretor são registrados.
Dúvidas de quem roda
Preciso avisar a seguradora que uso o carro para aplicativo?
O seguro fica mais caro para quem roda por app?
O que é franquia no seguro de carro?
Como saber se a seguradora e o corretor são registrados?
Onde conferir
Escrevemos a partir de leis, páginas oficiais e da conta feita no papel, sem cobrar nada de quem lê. Viu uma regra desatualizada? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.
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