Giro no AppAs contas de quem roda por aplicativo, feitas no papel

INSS do entregador e do motorista: as três formas de contribuir

Contribuinte individual com 20%, plano simplificado com 11% ou MEI com 5%: veja o que cada forma de pagar o INSS cobre para quem trabalha por aplicativo.

Você está aquiA dúvidaDestinoA conta feita e a fonte para conferir Leitura6 minCurvas8NívelNível iniciante

Por Redação Giro no App · atualizado em

Trajeto, curva a curva 8 curvas
  1. Por que o app não paga o seu INSS
  2. Caminho 1: contribuinte individual com 20%
  3. Caminho 2: plano simplificado com 11%
  4. Caminho 3: MEI com 5% dentro do DAS
  5. Comparando lado a lado
  6. Um exemplo com números redondos
  7. Cuidados que valem para qualquer caminho
  8. Próximos passos

Por que o app não paga o seu INSS

O aplicativo repassa o valor da corrida ou da entrega, e o desconto previdenciário não sai dali automaticamente como acontece com o empregado de carteira. Para o INSS, você é contribuinte individual: trabalha por conta própria e é segurado obrigatório. Só que a obrigação vira proteção apenas quando a guia é paga.

Regras de repasse e eventuais seguros oferecidos pela plataforma mudam. Confira nos termos do seu aplicativo o que existe hoje, mas não conte com isso como substituto da Previdência. Seguro privado de acidente não dá carência, não conta tempo e não gera pensão pelo INSS.

Caminho 1: contribuinte individual com 20%

É a forma completa. Você paga 20% sobre um valor que escolhe declarar como salário de contribuição, entre o salário mínimo e o teto do INSS. A guia é a GPS (Guia da Previdência Social), emitida no site do INSS ou no Meu INSS, com vencimento no dia 15 do mês seguinte ao trabalhado.

O que você ganha com isso:

  • todos os benefícios do INSS, inclusive aposentadoria por tempo de contribuição nas regras de transição;
  • benefícios calculados sobre o valor declarado, e não só sobre o piso;
  • tempo que vale para Certidão de Tempo de Contribuição, se um dia você passar em concurso.

O custo é o maior dos três. Para quem tem renda apertada, declarar o mínimo com 20% já é uma decisão que pesa.

Caminho 2: plano simplificado com 11%

O plano simplificado cobra 11% sobre o salário mínimo, sempre sobre o piso. O código de pagamento muda na guia, e o INSS informa os códigos na própria página do plano. Você continua contribuinte individual, só que com proteção reduzida.

O que fica de fora: a aposentadoria por tempo de contribuição e a certidão para levar o tempo a outro regime. Se mais tarde você quiser esse tempo, pode complementar com mais 9% sobre o mínimo de cada mês, com juros. O resto (auxílio por incapacidade, aposentadoria por idade, salário-maternidade, pensão) continua coberto, sempre no valor do piso.

Caminho 3: MEI com 5% dentro do DAS

Se a sua ocupação está na lista do Microempreendedor Individual, o DAS mensal já leva 5% do salário mínimo para o INSS, mais um valor fixo de ISS ou ICMS. Quem quer entender a abertura pode ler o guia de MEI para motorista de aplicativo ou o de MEI para entregador.

A cobertura é parecida com a do plano de 11%: aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade, salário-maternidade e pensão, no valor do piso. A aposentadoria por tempo também exige complemento, nesse caso de 15% sobre o mínimo. E atraso no DAS tem efeito direto na proteção; o guia sobre DAS do MEI atrasado mostra o que acontece.

Comparando lado a lado

Forma Percentual Base Aposentadoria por tempo Benefício
Contribuinte individual 20% do mínimo ao teto, você escolhe sim pelo valor declarado
Plano simplificado 11% salário mínimo não, salvo complemento de 9% no piso
MEI 5% salário mínimo não, salvo complemento de 15% no piso

Os valores em reais de cada guia mudam todo ano com o salário mínimo e o teto. Confira a tabela de contribuição mensal no site do INSS e o valor do DAS no Portal do Empreendedor antes de pagar.

Um exemplo com números redondos

Imagine o Wesley, entregador de moto, que tira R$ 3.000 líquidos por mês depois de combustível e manutenção. Para facilitar a conta, suponha um salário mínimo hipotético de R$ 1.500.

  • Plano simplificado: 11% de R$ 1.500 = R$ 165 por mês.
  • Contribuinte individual sobre o mínimo: 20% de R$ 1.500 = R$ 300 por mês.
  • Contribuinte individual declarando R$ 3.000: 20% de R$ 3.000 = R$ 600 por mês.
  • MEI: 5% de R$ 1.500 = R$ 75, mais o imposto fixo da atividade.

A diferença de R$ 135 entre o plano de 11% e os 20% sobre o mínimo compra uma coisa só: o direito de contar tempo para a aposentadoria por tempo de contribuição. Declarar R$ 3.000 dobra o custo e aumenta a base dos benefícios. Não existe resposta única; depende da sua idade, do tempo que você já tem de carteira e do quanto o orçamento aguenta. O guia sobre aposentadoria de quem roda por app aprofunda essa escolha.

Cuidados que valem para qualquer caminho

  • Pague a primeira guia em dia. Para o contribuinte individual, guias atrasadas de meses anteriores ao primeiro pagamento em dia não contam para carência.
  • Use o código certo na GPS. Código errado pode fazer o INSS enquadrar a contribuição em outro plano.
  • Confira o extrato no Meu INSS a cada poucos meses, no item de contribuições (o CNIS). Pagamento que não aparece precisa ser acertado logo.
  • Desconfie de quem cobra para "inscrever" você no INSS. A inscrição, a emissão de guia e o pedido de benefício pelo Meu INSS ou pela Central 135 são gratuitos.
  • Coloque o INSS no orçamento fixo, junto com combustível e aluguel do carro. O guia de mês fraco no app ajuda a separar esse dinheiro nas semanas boas.

Se a sua situação mistura carteira assinada e app, ou se você tem dúvida sobre qual código usar, o atendimento da Central 135 orienta sem custo. Não é decisão que precise de intermediário pago.

Próximos passos

  1. Entre no Meu INSS com a conta gov.br e veja o extrato de contribuições para saber quanto tempo você já tem.
  2. Decida entre 20%, 11% ou MEI considerando a idade e o tempo de carteira antiga.
  3. Consulte a tabela de contribuição do INSS deste ano e anote o valor da guia escolhida.
  4. Emita e pague a guia do mês trabalhado até o dia 15 do mês seguinte.
  5. Leia o guia sobre auxílio por incapacidade para saber o que essa contribuição garante se você parar.

Dúvidas de quem roda

Entregador de aplicativo é obrigado a pagar INSS?
Quem trabalha por conta própria e recebe por isso é segurado obrigatório da Previdência como contribuinte individual. Na prática, a proteção só existe se você recolher a guia ou o DAS do MEI. Sem pagamento, não há carência nem qualidade de segurado para pedir benefício.
Qual a diferença entre pagar 11% e 20% no INSS?
Os 11% são o plano simplificado, calculado sobre o salário mínimo, e não dão direito à aposentadoria por tempo de contribuição. Os 20% podem incidir sobre um valor maior, até o teto, e contam para todas as aposentadorias. Os dois cobrem auxílio por incapacidade, salário-maternidade e pensão para a família.
O DAS do MEI já inclui o INSS?
Sim. Parte do DAS é a contribuição previdenciária de 5% sobre o salário mínimo. Ela dá acesso a aposentadoria por idade, auxílios e pensão, sempre calculados sobre o piso. Para contar tempo para outras aposentadorias, é preciso complementar.
Onde confiro o valor da guia deste ano?
O valor muda quando o salário mínimo e o teto são reajustados. Consulte a tabela de contribuição no site do INSS e, para o MEI, o valor do DAS no Portal do Empreendedor. Emitir a guia e consultar extrato no Meu INSS é gratuito.

Onde conferir

Aviso. Conteúdo educativo, não é orientação jurídica nem contábil. Valores como salário mínimo, DAS, alíquotas, limite do MEI e preço do combustível mudam: confira o número vigente na fonte oficial antes de decidir. As regras de cada aplicativo também mudam; confira nos termos do seu. O Giro no App não é ligado a nenhuma plataforma. Leia o aviso legal.
Quem traçou esta rota: Redação Giro no App

Escrevemos a partir de leis, páginas oficiais e da conta feita no papel, sem cobrar nada de quem lê. Viu uma regra desatualizada? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.

Outras corridas nesta parada

Mais guias de INSS e proteção. Ver a parada inteira

  1. Parada 4 · INSS Aposentadoria de quem vive de aplicativo: o plano de 11% ou 5% basta? Plano de 11%, MEI ou 20%: entenda que aposentadoria cada forma de contribuir dá a quem roda por app, como complementar e como usar o tempo de carteira antiga. 5 min · Nível intermediário
  2. Parada 4 · INSS Parou por doença ou acidente: o auxílio do INSS de quem roda por app Carência, qualidade de segurado, análise documental e perícia: como o motorista ou entregador de app pede o auxílio por incapacidade temporária ao INSS. 6 min · Nível intermediário
  3. Parada 4 · INSS Salário-maternidade e pensão por morte: a proteção da família de quem roda Como a contribuinte individual e a MEI pedem o salário-maternidade e como a família de quem roda por app pode ter pensão por morte pelo INSS, sem pagar nada. 6 min · Nível intermediário
  4. Parada 3 · MEI Entregador com MEI: moto, bicicleta e as ocupações que aparecem na lista Entregador de moto ou bicicleta pode ser MEI? Veja como achar a ocupação na lista oficial, o que a lei do motofrete exige e quando o caso não cabe no MEI. 5 min · Nível iniciante