Giro no AppAs contas de quem roda por aplicativo, feitas no papel

Limite do MEI para quem roda muito: o que conta como faturamento

Entenda o que entra no faturamento do MEI de quem roda por aplicativo, como funciona o limite proporcional do primeiro ano e o que acontece ao passar do teto.

Você está aquiA dúvidaDestinoA conta feita e a fonte para conferir Leitura5 minCurvas6NívelNível intermediário

Por Redação Giro no App · atualizado em

Trajeto, curva a curva 6 curvas
  1. Faturamento não é lucro
  2. O limite proporcional do primeiro ano
  3. O que acontece quando passa do limite
  4. Como acompanhar o faturamento durante o ano
  5. Quando virar microempresa faz sentido
  6. Próximos passos

Faturamento não é lucro

Faturamento, ou receita bruta, é tudo o que entra pela sua atividade antes de qualquer despesa. Lucro é o que sobra depois. O MEI olha só para o primeiro número.

Para o motorista e o entregador, a diferença entre os dois é grande, porque o custo do veículo come uma parte relevante de cada corrida. Um mês que parece "fraco" na conta bancária pode ter sido um mês de bruto alto.

Num exemplo simples, um entregador hipotético que fatura R$ 8.000 brutos e gasta R$ 3.000 com a moto fica com R$ 5.000 de sobra. Para o limite do MEI, o número que vale é R$ 8.000. Em 12 meses iguais, são R$ 96.000 de faturamento, embora só R$ 60.000 tenham ficado com ele. Quem compara o teto com o saldo da conta subestima o quanto já usou do limite.

O que costuma entrar

  • o valor das corridas e entregas recebido pela sua atividade;
  • gorjetas e bônus pagos pelo aplicativo, quando fazem parte da remuneração do serviço;
  • corridas ou entregas feitas fora do aplicativo, para clientes próprios;
  • outras receitas da mesma atividade registrada no CNPJ.

O que não entra

  • dinheiro de outra fonte que não é a atividade do MEI, como salário de um emprego com carteira ou aluguel de um imóvel seu;
  • empréstimos, que não são receita;
  • transferências entre as suas próprias contas.

Há um ponto que gera dúvida no nosso nicho: se a base é o valor total pago pelo passageiro ou só o repasse que cai para você depois da comissão do aplicativo. O extrato do aplicativo costuma mostrar os dois valores. Guarde esse extrato mensal e, se a diferença puder fazer você passar do limite, confirme o critério com um contador ou no atendimento do Sebrae antes de entregar a declaração.

O limite proporcional do primeiro ano

No ano em que o MEI é aberto, o teto é dividido por 12 e multiplicado pelo número de meses entre a abertura e dezembro. O mês da abertura conta inteiro, mesmo que você tenha aberto no dia 28.

Exemplo com números redondos

Para facilitar a conta, imagine um limite anual hipotético de R$ 120.000 (o valor real é outro e está no portal). Um motorista abre o MEI em 15 de julho.

  • meses de atividade no ano: julho a dezembro, ou seja, 6 meses;
  • limite por mês: R$ 120.000 ÷ 12 = R$ 10.000;
  • limite daquele primeiro ano: R$ 10.000 × 6 = R$ 60.000.

Se ele fatura R$ 11.000 brutos por mês, chega a R$ 66.000 em dezembro e passa do teto proporcional, mesmo estando bem abaixo do limite cheio. É por isso que quem já roda muito precisa fazer essa conta antes de abrir. O passo a passo da abertura está no guia sobre MEI para motorista de aplicativo.

O que acontece quando passa do limite

A Lei Complementar 123/2006 trata de duas situações diferentes:

Situação O que acontece
Excesso dentro da margem de tolerância Paga imposto complementar sobre o valor que passou, informado na declaração anual. Deixa de ser MEI a partir de 1º de janeiro do ano seguinte.
Excesso acima da margem Deixa de ser MEI desde 1º de janeiro do ano do excesso (ou desde a abertura, se for o primeiro ano). Paga os tributos como microempresa sobre o período.

A margem de tolerância é um percentual sobre o limite previsto na lei. Confira o percentual e o limite atual no Portal do Simples Nacional, porque os dois podem mudar.

Em qualquer dos casos, o desenquadramento precisa ser comunicado no Portal do Simples Nacional. Deixar de comunicar não faz o problema sumir: a Receita cruza informações e pode fazer o desenquadramento de ofício, com multa.

Como acompanhar o faturamento durante o ano

A declaração anual (DASN-SIMEI) pede o total do ano, mas esperar até lá é arriscado. Um controle simples resolve:

  1. No fim de cada semana, anote o bruto da semana a partir do extrato do aplicativo.
  2. No fim do mês, some e escreva o acumulado do ano.
  3. Compare o acumulado com o limite proporcional ao mês em que você está.
  4. Se estiver acima da média, ajuste antes de dezembro, não depois.

Esse acompanhamento cabe no mesmo caderno do fechamento semanal. E ajuda também no imposto de renda, já que o faturamento é o ponto de partida da conta de lucro isento, explicada no guia sobre imposto de renda de motorista de app.

Quando virar microempresa faz sentido

Passar a microempresa (ME) não é castigo, mas muda a rotina. O imposto passa a ser um percentual do faturamento, e não um valor fixo; a contabilidade fica mais exigente, e em geral é preciso ter contador. O INSS do titular também muda de forma.

Pode fazer sentido planejar a mudança quando:

  • o faturamento bruto anual passa do limite com folga e sem sinal de cair;
  • você quer contratar mais de um ajudante;
  • a atividade cresceu para algo que não está na lista do MEI.

Antes de decidir, peça uma simulação a um contador com os seus números reais. O Sebrae também tem orientação gratuita sobre a transição.

Próximos passos

  • Confira no Portal do Empreendedor o limite anual vigente e anote a data da consulta.
  • Some o faturamento bruto deste ano até agora, mês a mês, a partir dos extratos do aplicativo.
  • Se abriu o MEI este ano, calcule o seu limite proporcional.
  • Separe o extrato mensal do aplicativo numa pasta, com o valor bruto e o repasse.
  • Se a projeção passar do teto, procure o Sebrae ou um contador antes de dezembro.

Dúvidas de quem roda

O limite do MEI é sobre o lucro ou sobre o bruto?
Sobre o faturamento bruto, ou seja, a receita da atividade antes de tirar combustível, manutenção e outros custos. Por isso quem roda muitas horas pode chegar perto do limite mesmo com sobra pequena no fim do mês.
Onde confiro o valor atual do limite?
No Portal do Empreendedor e no Portal do Simples Nacional. O limite é definido na Lei Complementar 123/2006 e pode ser alterado por nova lei, então não use valor guardado de anos anteriores.
O que acontece se eu passar um pouco do limite?
Se o excesso ficar dentro da margem de tolerância prevista em lei, você paga um imposto complementar sobre o que passou e deixa de ser MEI a partir de janeiro do ano seguinte. Se passar dessa margem, o desenquadramento volta ao início do ano, com imposto de microempresa sobre todo o período.
No primeiro ano o limite é o mesmo?
Não. No ano da abertura, o limite é proporcional aos meses de atividade, contando o mês da abertura como mês inteiro. Quem abre o MEI no meio do ano tem um teto menor para aquele ano.

Onde conferir

Aviso. Conteúdo educativo, não é orientação jurídica nem contábil. Valores como salário mínimo, DAS, alíquotas, limite do MEI e preço do combustível mudam: confira o número vigente na fonte oficial antes de decidir. As regras de cada aplicativo também mudam; confira nos termos do seu. O Giro no App não é ligado a nenhuma plataforma. Leia o aviso legal.
Quem traçou esta rota: Redação Giro no App

Escrevemos a partir de leis, páginas oficiais e da conta feita no papel, sem cobrar nada de quem lê. Viu uma regra desatualizada? Avise a redação; corrigimos e registramos a data. Próxima revisão: 26 de abril de 2027. Veja a política editorial.

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